RESGATANDO O ELO PERDIDO

Alberto Mourão

Poucas localidades no país ostentam índices tão alarmantes de crescimento populacional quanto os alcançados nos últimos quatro anos por determinadas regiões de Praia Grande. Em vários bairros, predominantemente habitados por famílias carentes, esse crescimento oscilou entre 40% e 60%, chegando a ultrapassar 70% em dois deles. Constitui-se num enorme desafio para a Administração Municipal suprir o aumento da demanda por serviços públicos, especialmente nas áreas de educação e saúde. Jamais, contudo, cogitamos nos omitir diante dessa responsabilidade.

Traçamos um ousado programa de obras, sem precedentes no município e na região. Estamos correndo contra o tempo. Até o fim de 2004, construiremos mais 12 escolas, além das sete novas e das oito ampliações entregues este ano. Serão 48 obras na Educação durante os quatro anos de governo, ou seja, uma por mês em média. É provável que nem assim consigamos atender toda a demanda por vagas em nossas creches e escolas. A maior dificuldade está na quantidade de recursos que precisamos destinar para a recuperação do patrimônio público destruído por atos de depredação e vandalismo. Cada computador furtado, cada vidraça quebrada em uma escola terá que ser reposto e faltará em outra.

No período restante deste mandato, a reforma das escolas consumirá cerca de R$ 10 milhões. São recursos que não precisariam ser gastos nisso se nós preservássemos esse patrimônio. Não podemos continuar reconstruindo o patrimônio público em razão da falta de cidadania. O desgaste do equipamento público pela presença constante do aluno na sala de aula ou nas áreas comuns é natural e cabe à Administração Municipal providenciar a manutenção preventiva. Mas a sociedade tem que participar ativamente da preservação.

Se não pouparmos cada centavo gasto na recuperação do patrimônio, será impossível atender a essa demanda, não só na área da educação como também na saúde, pavimentação, etc, porque Praia Grande não gera receita suficiente para suprir as necessidades dessas famílias que mudam para o município.

Sinto que precisamos resgatar o elo da integração da sociedade. Não podemos creditar a violência que estamos vivendo a apenas um fator, como o desemprego ou às tensões sociais. Em algum momento do passado recente, tivemos uma ruptura da sociedade. Nos anos 70, tínhamos um sonho coletivo de restabelecer a democracia no país e nos unimos em torno desse objetivo, que suplantava os interesses individuais. Hoje o que vemos é uma exacerbada preocupação materialista, um individualismo que leva a pessoa a agir contra o interesse público para ter seus interesses pessoais atendidos.

Acredito que só vamos reduzir a violência no país se educarmos nossas crianças, fazendo-as compreender o que é espírito coletivo e que existem objetivos comuns a serem alcançados. É fundamental que tenhamos espírito comunitário, de cidadania, para discutirmos em cada ponto da cidade os problemas locais e as formas de superá-los conjuntamente.

Precisamos da colaboração de todos para resgatar esse elo perdido. Cada um de nós tem de ser um agente desse processo, que também envolve a conscientização daqueles que não puderam receber uma educação mais profunda. O cidadão do futuro deve ser crítico, não só em relação ao Poder Público, mas também a si próprio. Deve ter capacidade de analisar e refletir sobre qual a sua contribuição para o processo de desenvolvimento social.

É chegada a hora de nos voltarmos para o seio de nossas famílias, se quisermos eliminar os grandes problemas deste país. Não dá mais para caminharmos empurrando os problemas com a barriga. E só através da educação isso será possível, porque o cidadão consciente, esclarecido, que sabe ler um jornal e interpretar o que é verdade e o que é mentira, é um cidadão que vai dizer não à boataria, que vai ajudar a construir e a conscientizar os outros de que os seus interesses não podem se sobrepor aos da coletividade.

Senão, vamos fazer de conta que damos educação, que somos uma sociedade, mas na verdade seremos um agregado de pessoas. Não queremos isso. Queremos ter orgulho de nossa cidade, ser um exemplo nacional.