Organização e eficiência mudam sistema de mobilidade em Praia Grande

Hoje, Praia Grande conta com um sistema hierárquico eficaz

Quem morou em Praia Grande na década de 90, provavelmente deve lembrar o caos que era o transporte na cidade. Sem sistema municipal de transporte coletivo, aqueles que desejavam ir para determinados bairros, muitas vezes tinham que pagar até três conduções para chegar ao local de destino, sem contar as condições precárias de alguns veículos. A cidade não possuía nem rodoviária, os passageiros precisavam ir até São Vicente para viajar. Estacionamento para os ônibus também era inexistente; a cena mais comum era ver ônibus parados na frente de comércios ou de casas.

Diante da dificuldade, a primeira atitude de Alberto Mourão relacionada ao transporte coletivo, foi fazer uma pesquisa sobre o serviço em Praia Grande, o que indicou que o sistema precisava ser aprimorado quanto à pontualidade, lotação e frequência nos picos de operação, implantando sistema operacional de transporte coletivo, baseado em sistema tronco, com a construção de dois terminais de transbordo e integração. O projeto incluía terminais nos bairros Sítio do Campo (Tude Bastos) e Mirim, inaugurados em 1996. Durante a primeira gestão, ainda foram implantadas novas linhas de transporte municipal, algumas para operar de forma convencional e outras de forma expressa, sem paradas nos terminais.

Pensando em dar mais agilidade ao transporte coletivo de massa, Mourão adotou para Praia Grande o sistema de bilhete único. Praia Grande foi a primeira cidade a utilizar o bilhete único.

Paralelo a essas melhorias, para continuar dando mais qualidade ao transporte público, Mourão começou a pavimentar as ruas, já que até então, em época de chuva, os ônibus eram impedidos de circular, devido a grandes alagamentos que ocorriam na Cidade

Em uma ação conjunta para disciplinar o turismo de um dia e melhorar a imagem da cidade, que era conhecida até então por atrair “farofeiros”, além da construção das rodoviárias, a Administração criou o projeto modelo de veículo destinado a transporte turístico ao longo da orla da praia e iniciou a fiscalização de excursões, através do Projeto de lei complementar que regulamentou a circulação de ônibus provindos de outros municípios.

Ao longo dos anos, Praia Grande continuou investindo no transporte público a fim de garantir a mobilidade, a segurança e a qualidade de vida da população e de turistas. Atualmente, os terminais rodoviários, denominados Tude Bastos (Bairro Sítio do Campo) e Tatico (Bairro mirim) são a base do sistema de transporte público de Praia Grande.

O município conta com 90 ônibus, desses, 83 estão nas ruas diariamente, atendendo passageiros das 14 linhas municipais que circulam em todos os bairros da Cidade, e os demais são usados como reserva técnica, em caso de necessidade. A frota tem uma idade média de uso de 2 anos, uma das mais novas do País.

Além de novos, todos os ônibus possuem ar-condicionado, wi-fi e acessibilidade completa. A distância média entre os pontos de ônibus da cidade é de 400 metros, com exceções em locais onde as características físicas impedem essa condição. O sistema intermunicipal também é integrado ao municipal. O usuário paga somente a diferença entre as passagens para acessar os municípios vizinhos. Além disso, diversas empresas rodoviárias estaduais e interestaduais passam diariamente pelos terminais.

Praia Grande possui atualmente 123 taxistas registrados e a cidade está em fase de estudos para elaboração de propostas em relação aos transportes por aplicativos. A Administração entende que o assunto deve ser tratado de forma metropolitana.

O transporte escolar regular do município é realizado por 13 veículos. Além de 15 ônibus para o transporte da educação especial, inclusão e complementação educacional. O benefício do transporte escolar é concedido aos alunos matriculados acima do perímetro de 2 km de distância entre a escola e a residência e é concedido até que seja possível realizar o atendimento em unidade escolar dentro do perímetro de 2 km. No caso de Educação Especial e Inclusão, o transporte oferecido pelo município dá preferência aos alunos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental que sejam cadeirantes ou apresentem severas dificuldades de locomoção e residam a mais de 800 metros do estabelecimento de ensino onde estiverem matriculados.

Trânsito

É difícil imaginarmos uma cidade sem semáforo, mas essa era a realidade de Praia Grande nos anos 90. Não diferente das demais áreas, o Município também não possuía um planejamento de sistema viário.

Sendo assim,  as primeiras medidas de Mourão foram para que o departamento responsável pelo trânsito implementasse um estudo que oferecesse: pesquisa e levantamentos de tráfego, estabelecendo a importância e sentido das vias e da velocidade regulamentada; estudo das interseções e medidas de proteção aos pedestres;  estacionamentos; viabilidade de implantação de redes ciclo viárias; organização do transporte coletivo; sinalização de trânsito; estudo de segurança viária; estudo para implantação de semáforos e planos de sincronização.

Com o estudo em mãos, entendendo o perfil da rua ou avenida, começava a ser possível realizar obras de infraestrutura para requalificar a via. Foi possível adotar calçadas mais largas, áreas reservadas para pedestres, pontos de travessia segura elevada. Os cruzamentos entre vias também puderam ser remodelados, com o uso de rotatórias e medidas para diminuir a velocidade de circulação dos carros.

Uma das importantes medidas tomada logo no início de sua gestão foi a ligação da Av. Kennedy com as marginais Imigrantes e Anchieta, desafogando rapidamente o trânsito de dentro da Cidade, graças ao sistema de mobilidade criado.

Com a hierarquização do sistema viário, que tem como objetivo construção de um sistema viário baseado na funcionalidade das vias urbanas, criou-se a duplicação da via Expressa, chamada na época de acesso 291, trecho que vinha da rotatória na entrada do Boqueirão até a Padre Manoel da Nóbrega, integrando o trecho central. Criou-se também 21 passagens inferiores de acordo com a altura da pista para marginal. Construiu-se canais que faziam margem à Via, duas faixas de rolagem sentido Santos e Itanhaém, além de mais 20 km de ciclovia. Tudo isso com recurso próprio da prefeitura.

As dificuldades eram muitas, mas a criatividade de Mourão também. Praia Grande não possuía nem placas de rua. Diante do problema, o chefe do Executivo conseguiu autorização da companhia de energia para colocar os nomes das ruas nos postes. O material, que passou por um estudo para saber qual o tipo de tinta, cola e adesivo eram os mais adequados, contou com a participação de empresas, isso porque não havia orçamento para tal despesa.

Dando continuidade à solução dos problemas com emplacamento de ruas, Mourão trouxe para a cidade o projeto Rumo, que viria a facilitar a identificação dos bairros. Com o Projeto, foi possível separar todos os bairros da Cidade por cores nas placas de localização de vias e logradouros públicos.

Hoje, o Município possui 1549 avenidas, ruas e alamedas, totalizando 804,93 km de vias espalhadas em 32 bairros. Dessas, 92% estão identificadas com as placas informativas com o nome das vias, códigos de endereçamento postal (CEP) e cor de identificação (cada bairro possui uma cor, facilitando a localização de onde termina um e começa outro). As placas estão fixadas em postes metálicos e de energia, facilitando a visualização nas esquinas.

Ciclovia – Investimento Social

Pensando no uso da bicicleta como elemento transformador da sociedade, nos aspectos de meio ambiente, saúde e economia, Alberto Mourão desde seu primeiro mandato, em 1993, priorizava esse meio de transporte. Dessa forma, Praia Grande foi a primeira cidade a construir uma via para ciclistas com pista exclusiva de duas faixas, evitando acidentes e disciplinando o trânsito. Ao longo dos anos, os investimentos continuaram e a cidade amplia a cada ano a quantidade de vias exclusivas para ciclistas.

A Administração mapeou o perfil dos ciclistas da cidade e direcionando de forma mais efetiva as ações de trânsito no município. Atualmente, mais de 9 mil ciclistas já estão cadastrados.

Atualmente, a cidade conta com 100 km, entre ciclovias e ciclofaixas espalhadas em todos os bairros, o que torna o município da Baixada Santista com maior número de ciclovias.

            Prêmio  Cidade Amiga da Bicicleta

Após diversos investimentos no setor, Praia Grande recebeu o reconhecimento e foi eleita por cinco vezes como “Cidade Amiga da Bicicleta”. Dois prêmios foram concedidos pela própria Associação Brasileira de Ciclistas, em 2007 e 2008, outro pelo Instituto Pedala Brasil e União de Ciclistas do Brasil, em 2010. Em 2014, pela Associação Brasileira de Ciclistas, Skates, Patins e Cadeirantes, e pela Liga Santista de Ciclismo. E em 2016, durante o II Festival da Bicicleta do Litoral Paulista.