Trajetória marcada por empenho e inovação transforma sistema de saúde em Praia Grande

 

O desafio de Alberto Mourão na área da Saúde, quando assumiu pela primeira vez a Prefeitura de Praia Grande, era nada menos do que enfrentar um estado de calamidade pública. Em 1993, em seu 1º mandato, Mourão encontrou a Cidade sem infraestrutura para oferecer atendimento digno à população.

O Município possuía três prontos socorros, desses, apenas dois funcionavam, sendo um deles em condições bem precárias. Dessa forma, os moradores que precisassem de auxílio médico deveriam ir ao PS, localizado na antiga Santa Casa, que possuía uma sala de atendimento com no máximo 16 m², e apenas uma ambulância funcionando. Havia nove unidades básicas fechadas, e um Centro de Especialidade Médica Ambulatorial e Social (CEMA), muito distante da maioria dos bairros. Naquela época, Praia Grande possuía um hospital com apenas 60 leitos; ainda assim, essas vagas também eram destinadas a pacientes de atendimento particular.

Santa Casa em 1993

Instalações da Santa Casa, em 1993

O cenário se tornava ainda mais negativo quando se falava em aumento de doenças como leptospirose e cólera, causadas pela falta de saneamento básico, microdrenagem e controle de coleta de lixo. Mais de 70% das ruas não possuía pavimentação e muitas delas tinham valas a céu aberto, fato que colaborava para o aumento de enfermidades.

Mais do que coragem para enfrentar a situação, Mourão aprofundou-se no conhecimento de todo sistema, criando e analisando mecanismos de gestão que pudessem adaptar-se às mudanças ambientais, identificando metodologias administrativas que interferissem nas estratégias de recursos que cumprissem sua finalidade social. A Saúde em Praia Grande estava prestes a presenciar uma nova história.

Para mudar a realidade da saúde no município, Alberto Mourão estudou aspectos do sistema canadense que poderiam ser aplicados em Praia Grande, onde as ações eram voltadas para qualidade de vida do cidadão, normas regulamentadoras com diretrizes para atendimentos, cálculos para viabilizar novos recursos com o Governo Estadual e Federal, além dos recursos gerados pelo próprio Município e serviços a serem implantados.

Inauguração do Ambulatório e Pronto Socorro.

A visão inovadora de Alberto Mourão fez com que ele criasse metodologias para dar mais qualidade de vida às pessoas, mantendo o foco em medicina preventiva, onde as estratégias estão baseadas em fazer com que a doença não chegue à pessoa, impedindo que se hospede no organismo, incluir mecanismos de diagnósticos e tratamentos para doenças iniciais, diminuir o impacto negativo provocado pela doença e a inclusão de métodos que evitem os efeitos colaterais de intervenções médicas. Por isso, criar diversos prontos socorros, onde os atendimentos realizados são destinados a pacientes que já estejam com agravo em sua saúde, precisando assim de atendimento imediato, não resolveria o problema.

Só no primeiro ano de governo, Mourão colocou sete multiclínicas em funcionamento. Isso, aliado a medidas como a normatização do agendamento de pacientes, a reciclagem do pessoal de recepção, a transferência do atendimento escolar médico para as multiclínicas e a elaboração de um sistema de saúde para mulher, resgatou grande parte da credibilidade do sistema de saúde de Praia Grande.

PRECISAMOS HUMANIZAR MAIS OS ATENDIMENTOS MÉDICOS. AS PESSOAS QUE CHEGAM AO HOSPITAL JÁ ESTÃO FRAGILIZADAS  NÃO SÓ FISICAMENTE, MAS TAMBÉM EMOCIONALMENTE.

Alberto Mourão

O crescimento foi logo notado. A Secretaria de Saúde registrou durante o ano de 1993, um total de 104.764 atendimentos, 20 mil a mais do que no ano anterior.

A previsão realmente se confirmou. O índice de atendimento nas multiclínicas, entre 1993 e 1996, cresceu 104,5%. Em 1993, 104.764 atendimentos foram registrados nas multiclínicas. Já em 1996, este índice chegou a 173.898.

Ainda inconformado com o fato de Praia Grande não ter meios que a fizessem independente para cuidar de seus próprios munícipes, Mourão decidiu enfrentar o Sistema Nacional de Saúde. Naquela época, os recursos eram destinados às cidades de acordo com a série histórica dos mesmos, ou seja, a média de repasse seria feita de acordo com os gastos do passado. Porém, o histórico de atendimento do Município era bem negativo, devido às péssimas condições ou até mesmo à falta de equipamentos.

A cidade de Santos era a que recebia maior valor em recursos. Com isso, os municípios vizinhos continuavam dependentes dela, porque a quantia oferecida pelo Governo Federal para que as demais cidades fizessem uma gestão plena, assumindo inclusive responsabilidades que antes eram dos governos Federal e Estadual, seria insuficiente para permitir que tivessem uma infraestrutura descente para seus respectivos moradores. Mourão não aceitou. Recusou-se a assinar os termos que fariam Praia Grande permanecer estagnada na área da Saúde. Terminou seu 1º mandato inconformado, mas não deixou de buscar solução para o problema. Ele aprofundou-se ainda mais nos estudos das normas, fez novos cálculos de demandas referentes a consultas e exames, provando ao Ministério da Saúde que precisava de mais recursos para socorrer a população de forma digna. Contudo, apesar de ter conquistado um teto maior para Saúde, Mourão ainda precisava convencer mais gente, pois na época o repasse do Governo Federal era destinado ao Estadual, para que então fosse enviado para as cidades. Mourão não temeu, exigiu que o repasse fosse feito integralmente. Mais uma vez, sua coragem rendeu bons frutos, pois a partir daí Praia Grande não pararia de ser referência.

A mente do prefeito não parou. A prioridade do Governo Municipal passou a ser novas políticas, para então receber mais recursos e continuar avançando na Saúde. Praia Grande foi uma das primeiras cidades do Brasil a implantar a Equipe de Saúde da Família (ESF).

Em 2001, quando Mourão voltou para assumir seu 2º mandato, mais inovações se integraram à Saúde. Nascia Unidade de Saúde da Família (USAFA), que defende a integração do médico com a família. A visita do médico à casa do paciente possibilita que se conheça melhor o paciente, a família e vizinhos, garantindo mais adesão do usuário aos tratamentos e às intervenções propostas pela equipe de saúde.

Estruturada a Atenção Básica, Mourão pode voltar mais o seu olhar para as especialidades médicas. A população de Praia Grande era obrigada a ir a outras cidades quando precisava de atendimento especializado, isso porque existia dificuldade para encontrar profissionais com interesse em cumprir determinada carga horária incompatível com o salário, já que a margem de ganho desses profissionais em consultórios particulares, por exemplo, era bem maior do que a oferecida pela rede pública. Diante disso, Alberto Mourão conseguiu realizar um chamamento público, em que poderia oferecer um valor da tabela SUS dobrada, algo permitido pelo Sistema Nacional de Saúde, que cadastrasse profissionais interessados em atender, diminuindo assim o tempo de espera da população para conseguir um atendimento especializado. Atualmente, entre 80% de consultas e exames, o paciente aguarda no máximo 45 dias para atendimento. Inclusive, esse é o tempo determinado pela Agência Nacional de Saúde (ANS) para planos de saúde.

Praia Grande é a cidade que mais atende pacientes do SUS, na Baixada

Hoje, Praia Grande é referência regional em traumatologia e neurologia, atendendo a toda região da Baixada. O hospital segue caminhando para se tornar um equipamento estruturante, devendo ser mencionado para atendimento de alta complexidade, ajudando toda população regional.