Foco e estratégia marcam gestão de Alberto Mourão

Palestra para o Conselho Regional de Administração

O que você faria se assumisse um cargo de diretor em uma empresa que além de ter graves problemas em todas os setores, também tivesse uma dívida consolidada em mais de 100%? Essa foi a realidade encontrada por Alberto Mourão ao assumir a prefeitura de Praia Grande, em 1993. Havia ainda um agravante: o prazo para pagar a dívida consolidada da Administração e os juros era curto. Com isso, o poder de realização referente ao orçamento anual do Município estava altamente comprometido.

A prefeitura possuía uma estrutura desnecessária de comissionados, chegando a ter mais de 2.800 empregados nomeados, assumindo ainda mais déficit fiscal, social e falta de credibilidade do contribuinte, que cada vez mais pensava em ir para outra cidade, já que não via retorno algum do dinheiro que pagava em IPTU, por exemplo.

Bairro Vila Sônia, em 1993

A realidade de Praia Grande era catastrófica, com um futuro nada promissor. Afinal, quem acreditaria em um lugar onde as casas tinham esgotos a céu aberto em frente às portas, mal existia viatura para fazer a segurança na cidade, possuía apenas uma ambulância, as praias eram manchetes de jornais devido à falta de balneabilidade e havia lixo por toda parte? Era realmente complicado ver um futuro positivo diante de tantos problemas.

Bairro Vila Sônia, em 2020

A esperança de muitos governos em conseguir sanar parte dos problemas com os recursos vindos do pagamento feito pelos contribuintes do IPTU não era uma realidade para Mourão, pois existia um alto índice de inadimplência. A Cidade era tão desvalorizada que os imóveis e terrenos tinham baixo valor de mercado.

Em uma época em que o sistema de pagamento não era informatizado, Alberto Mourão fazia planilhas à mão para diminuir o risco de duplicar pagamentos, além de corrigir outras falhas na estruturação financeira. Havia também falta de controle e fiscalização no sistema de pagamento de salários, em que 10% da folha ganhava muito, enquanto os professores, por exemplo, recebiam um salário mínimo.

Contudo, na mente de Mourão se problemas não faltavam, vontade e estratégias para solucioná-los também não. Criatividade, racionalização dos gastos e priorização nas decisões fizeram que o prefeito transformasse a crise em oportunidade. Parceria, priorização e racionalização sempre nortearam as Administrações de Mourão.

UM GOVERNANTE NÃO PODE TER MEDO DA PRESSÃO SOCIAL. É NECESSÁRIO QUE ELE  ESTABELEÇA PRIORIDADES E TENHA INTELIGÊNCIA EMOCIONAL.

Alberto Mourão   

Orla da Praia Urbanizada, em 1996

Ciente de que para resgatar a receita da Cidade ele precisaria trazer o turista para Praia Grande, Mourão sinalizou que grandes mudanças estavam por vir quando urbanizou determinado trecho da Orla da Praia e também a avenida Ayrton Senna. Críticas vieram, porque muitas pessoas achavam que ele não se importava com a periferia, mas como Alberto Mourão sempre fala que para trabalhar com política, a pessoa precisa suportar pressão e estabelecer prioridades, poucos anos depois, aqueles que criticaram também elogiaram, entendendo a estratégia adotada pelo prefeito.

Ao final de seu primeiro mandato, Alberto Mourão reduziu a dívida que quando assumiu estava em mais de 100 para 20% e renegociou todos os débitos, voltando assim a ter capacidade de investimento. Praia Grande voltava a recuperar a dinâmica administrativa.

Orla da Praia, em 2020

Em seus demais mandatos, Mourão colocou diversas leis no Plano Diretor da Cidade, melhorando o sistema viário, o plano de macrodrenagem, a reestruturação de canais e os planos de uso e ocupação de solo, sempre estabelecendo prioridade de investimentos.

Sempre pautando sua administração pela credibilidade, inclusive com os fornecedores, Mourão mudou o planejamento orçamentário, de acordo com a capacidade de gerar receita, sem estimar gastos sem ter garantias de execução e pagamento, como a maioria das cidades fazia. Sua administração foi pautada a partir do estudo de como era possível aumentar a receita, sem necessariamente aumentar os impostos, baixando índice de inadimplência, buscando aumento econômico para poder ter ganho em outros tributos, sempre estabelecendo um decreto de execução orçamentária, antes de se tornar obrigatório, evitando assim o descontrole orçamentário.

Reunião Condesb

Para muitos, o sucesso de Alberto Mourão em conseguir mudar tanto a realidade de uma cidade está no fato de pensar com a visão de um empresário, como de fato ele é. Contudo, as estratégias de Mourão não foram somente pautadas pelo raciocínio empresarial, pois seu entendimento sobre políticas públicas, obedecendo os ciclos delas, como identificação do problema, agenda, formulação, tomada de decisão, implementação, monitoramento e avaliação, é fundamental para aqueles que desejam transformar crise em oportunidade.

Em seu último ano de mandato, Alberto Mourão teve 80% de aprovação da população. A pesquisa foi feita pelo IPAT. Confira a matéria no Jornal A Tribuna