SOLUÇÃO CASEIRA

Alberto Mourão

 

A Baixada Santista, como todo o país, em maior ou menor escala, sofre os reflexos da criminalidade, que assumiu patamares alarmantes. O aumento da violência não pode ser creditado, de forma simplista, à crise econômica ou ao desemprego, pois países economicamente estáveis, como Inglaterra e França, também a tem entre as questões que merecem prioridade dos governos.

No Brasil e, particularmente, nas regiões metropolitanas, como a nossa, constatamos que o fenômeno da violência ganhou impulso à medida que entramos em um processo de desintegração da família e da sociedade. Estatísticas revelam que a criminalidade está predominantemente associada ao tráfico de drogas. Dos homicídios ocorridos em Praia Grande, cerca de 90% estão relacionados ao tráfico, sendo que jovens entre 16 e 25 anos compõem o perfil das vítimas. Quando não acabam assassinados, os dependentes enveredam para o caminho dos furtos e pequenos delitos, ou então tornam-se microtraficantes para sustentar seu vício.

A desagregação familiar, a falta de diálogo e de apoio dos pais com os filhos estão entre as causas que levam esses jovens à iniciação no mundo das drogas, onde são prontamente acolhidos.

Nenhum governo, por pior que seja, pode ser considerado culpado por esse quadro aterrorizante que presenciamos; assim como nenhum governo, por mais bem intencionado e estruturado que seja, pode resolver o problema sem contar com a cooperação da comunidade e das entidades e instituições representativas da sociedade civil. A começar pela família, que precisa retomar o salutar hábito do diálogo entre pais e filhos. Especialmente na faixa etária dos 12 aos 18 anos, é fundamental que os pais acompanhem o desenvolvimento e a rotina diária de seus filhos, procurando conhecer as amizades que têm e os lugares que frequentam.

Não é aumentando o número de policiais nas ruas que o problema será resolvido. O tráfico de drogas obedece a lei da oferta e procura. Portanto, precisamos reduzir o número de consumidores para haver a diminuição do tráfico.

Em Praia Grande, implantamos um conjunto de ações e projetos, em parcerias com o Governo do Estado e outros organismos, para combater esse mal que, além de provocar traumas permanentes no seio de inúmeras famílias e influir diretamente na qualidade de vida da população, traz ainda consequências econômicas.

Entre as iniciativas estão o Projeto de Integração e Cidadania, o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência, as Escolas de Esportes Radicais, com atividades diversificadas (esportes, teatro, música, oficinas, cursos e palestras), mas tendo em comum o propósito de proporcionar autoestima e uma boa formação às crianças e adolescentes, ensinando valores positivos e a prática da cidadania, mantendo-as protegidas dos perigos das drogas e da criminalidade.

Por outro lado, estamos trabalhando de forma integrada com as polícias Civil e Militar, investindo no aparelhamento da Guarda Municipal e na instalação de um sistema de monitoramento das unidades escolares por câmeras de vídeo e alarmes, de forma a inibir a ação de traficantes e proporcionar maior segurança aos alunos, professores e funcionários da rede municipal de ensino. Enfim, temos feito tudo o que está ao alcance da Administração Municipal para enfrentar e reverter essa situação.

 

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