ENTENDENDO A NECESSIDADE DE TRANSFORMAÇÃO

Alberto Mourão

 

Praia Grande completou 53 anos. Em ascensão, a Cidade é referência em desenvolvimento, fruto de muito planejamento estratégico que começou em 1992 com foco na recuperação da imagem autoestima do cidadão. O Município tinha déficit público de 100% (dívida flutuante)  e dívida consolidada de 150% do orçamento, para ser paga no prazo de cinco anos.

Um plano estratégico foi criado com foco em todas as áreas como pavimentação, educação, saúde e infraestrutura viária. A Cidade recuperou sua imagem e hoje contamos com 97% das ruas abertas pavimentadas, 78% de rede de esgoto, 76 escolas municipais com mais de 54 mil alunos, 40 unidades de saúde e um hospital. Poderia mencionar muito mais.

Atualmente, o Brasil passa por problemas semelhantes, guardadas as devidas proporções. A sociedade com uma baixa autoestima, o poder público à porta de um crescimento vertiginoso do déficit público e que sinaliza para o setor privado e para o mundo como um País que pode viver à Insolvência, problemas enormes estruturais nas áreas de saúde, educação, infraestrutura ferroviária, mobilidade urbana, entre outros. Para agravar, o quadro somos uma família que não se conversa, só briga.  Os poderes constituídos conflitando, batendo boca em público, as instituições querendo se autoafirmar como quem manda mais e quem pode mais.

O País precisa neste momento pré-eleitoral, que os que se colocam como candidatos se cerquem de pessoas qualificadas e de todos que possam opinar, para discutir como enfrentar estes problemas. Se passarmos mais uma eleição onde o discurso fácil, populista, fisiologista for o que imperar, chegaremos depois das eleições sem rumo, e o mais grave: a sociedade  achando que foi traída pela classe política por ter acreditado no que não era possível e factível.

É obvio que quando se fala que bandido bom é bandido morto, aos ouvidos dos cidadãos que perderam seus entes queridos ou sofreram com a criminalidade, soa bem, mas qual é a solução que estes candidatos dão? É preciso abrir o debate para discutir por que chegamos neste ponto, já que não estamos ouvindo as alternativas. Talvez fique aqui uma reflexão: será que é a relação humana que estabelecemos entre nós no Brasil? O problema é a falta de investimento na Educação por meio do ensino de período integral a partir dos 14 anos, para tirar o jovem da porta do crime organizado? Mostrar estruturas adequadas seja por meio de agências ou instrumentos que permitam que tenhamos alguém cuidando só do enfrentamento do tráfico de entorpecentes, do contrabando de armas e do roubo de cargas. Enfrentar a hipocrisia da receptação ou será que também não somos culpados quando compramos algo que sabemos que não tem nota fiscal e origem?. Quanto não estimulamos o crime?

Isso vale também para saúde. Fazer um vídeo ou publicar uma foto falando que faltam remédio e leito hospitalar é fácil, mas qual é a política pública que abraçamos de saúde? Países como Canadá, França e Inglaterra que investiram maciçamente na saúde preventiva fecharam leitos hospitalares. Existe um problema que é de comportamento tanto do poder público, quanto do usuário e precisamos enfrentar essa discussão.

Onde queremos chegar com a educação que forma pessoas em curso superior em massa, mas que não tem condições de exercer um papel de técnico, ou um bom curso de tecnólogo, entrelaçado com o desenvolvimento de um País? O Brasil não escolheu um foco para ser o ponto de vista estratégico da economia mundial. Agravado por isso, vemos os escândalos diários, mas no passado todos aplaudiram. Era um mantra neste País, e eu votei contra no pouco tempo que passei no Congresso Nacional. Falar que não ia permitir que se desse dinheiro para a construção de estádios de futebol era uma heresia, era ser contra o País. Naquela época eu já dizia que o Brasil tinha 70 quilômetros de metrô e que o dinheiro que seria liberado por financiamento para os eventos da Copa do Mundo dava para fazer mais 100 quilômetros, assim mais que dobraríamos essa oferta no País. Hoje temos estádios que não têm condições financeiras de se autossustentar e continuamos sem mobilidade urbana.

Sabemos que a economia vai mal, falamos muito em queda e retomada da arrecadação, mas não existem dúvidas que há anos postergamos uma reforma tributária onde prioritariamente o objetivo não é de aumentar a carga tributária, mas sim de dividi-la melhor. É preciso fechar os buracos da elisão fiscal com a reforma do sistema, estabelecer novos mecanismos, mais modernos de arrecadação que evitem a sonegação. Déficit público não se resolve só com a questão do aumento da arrecadação, a reforma de Estado é fundamental.

É imprescindível que neste momento o diálogo e o debate de alto nível se estabeleçam.  Apresentar sugestões ou pautar a discussão é muito mais maduro. O Brasil precisa refletir e este é o momento, o período eleitoral. Mas se aceitarmos o discurso fácil, o messianismo, ou soluções que nos levam a um retrocesso da quebra da ordem institucional, seremos vistos mais uma vez como uma “republiqueta”.

Em 1992, quando fui candidato a prefeito, era o terceiro colocado nas pesquisas. Durante a preparação para as eleições discutimos um plano estratégico para a Cidade em conjunto com pessoas que tinham o sentimento de vergonha pelos rumos que Praia Grande seguia. Mesmo como terceiro colocado, apresentava propostas deixando claro que nada daquilo seria possível se a sociedade não quisesse uma transformação. Eu dizia que ninguém é respeitado se não se fizer respeitar. Ao assumirmos o governo, estabelecemos um plano de metas de longo prazo baseada naquelas discussões anteriores. Em muitos momentos tive oposição por oposição, que é a pior delas. Tive a incompreensão de pessoas que foram usadas por esta oposição, mas não me deixei levar, a sociedade estava ciente de onde queríamos chegar. Após 25 anos de governos de continuidade, não de poder, sim de ideais e propósitos, Praia Grande colhe seus frutos, recupera sua autoestima, seu nome e resgata a grande maioria do seu déficit social.

Este foi o diferencial de Praia Grande: entendeu a transformação, se uniu acerca de um propósito e perseverou. Assim como Praia Grande, espero que o Brasil acorde para uma nova realidade.

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