A RACIONALIZAÇÃO DOS ESPAÇOS PÚBLICOS

*Alberto Mourão

Quando, ainda em nosso primeiro governo, falávamos da intenção de implantar a chamada feira confinada, as pessoas reagiam em tom de indignação, bradando que íamos acabar com as feiras-livres.

A feira é uma tradição milenar, consolidada não só na cultura brasileira como mundial. Mesmo com todo o avanço tecnológico e as transformações que temos vivido, a feira continuará existindo. Cientes disso, em nenhum momento cogitamos acabar com a feira. O que nós precisamos é melhorar suas condições, adaptá-la à nova realidade, marcada pelo adensamento urbano, onde pedestres e veículos, que precisam movimentar-se, disputam a ocupação dos espaços existentes.

Recebemos inúmeros abaixo-assinados de moradores pedindo a retirada da feira de suas ruas, porque, na verdade, todos defendem a manutenção da feira, mas ninguém a quer na porta de sua casa. E com razão, já que a mesma acarreta diversos problemas aos moradores, como a restrição do acesso de veículos, barulho desde a madrugada, quando começa a montagem das barracas, problemas de acondicionamento de restos e lixo, entre outros. O Poder Público também sofre prejuízos, principalmente com os elevados custos de manutenção e limpeza dessas vias, onde é comum, por exemplo, o entupimento de bueiros, entre outros inconvenientes.

Na realidade, a feira que tínhamos inicialmente na Av. Pres. Kennedy e posteriormente na Av. Dr. Roberto de Almeida Vinhas (marginal da rodovia), duas das principais artérias viárias da Cidade, com intenso fluxo de veículos, era uma das maiores do Estado de São Paulo, com 1,5 km de extensão. Tínhamos, portanto, que encontrar um local adequado para acomodá-la, onde pudéssemos proporcionar melhores condições de higiene, com banheiros e para quem trabalha e freqüenta a feira, estacionamento para carros, motos e bicicletas; segurança, local para os fiscais atuarem, e inclusive com iluminação, para estender o horário de funcionamento até o período noturno, para que aqueles que trabalham durante o dia também possam ir à feira. É provável ainda que com isso os feirantes tenham condições de reduzir um pouco o preço dos seus produtos, porque com mais tempo de funcionamento, haverá menos perdas.

Assim, procuramos definir essa questão dentro da política que tem caracterizado nosso governo, de racionalização, não só dos recursos mas também dos espaços públicos, de forma que um único investimento possa atender a diversas necessidades. Daí surgiu a idéia de um espaço de múltiplo uso, que concretizamos com a inauguração do Espaço de Eventos Alvorada, no Quietude, em abril deste ano, obra inteiramente custeada com recursos do Município. Ali, a feira é realizada um dia por semana, e nos demais dias o espaço pode ser utilizado para outros eventos e pelos vários segmentos da comunidade, especialmente as crianças e jovens, para a a prática de variadas atividades esportivas (volei, basquete, futsal, handebol, capoeira, atletismo, ciclismo, skate, etc.) e de lazer, nas quadras e áreas demarcadas, bem como para a realização de reuniões, atividades comunitárias, shows e apresentações de música e dança, inclusive eventos de grande porte, como festivais gastronômicos, feirões de automóveis ou exposições, uma vez que o local tem infra-estrutura (bicicletário, vestiários, sanitários, salas administrativas) e capacidade para quase 100 mil pessoas. Com isso, estamos atendendo a alguns dos anseios da comunidade, que necessita desse tipo de espaço para a melhoria de sua qualidade de vida.

Os primeiros meses de funcionamento do Espaço Alvorada demonstram o acerto da iniciativa. Esperamos que, gradativamente, haja uma aceitação desse novo modelo de espaço público, inédito na região, que vem atender aos reclamos dos que hoje possuem feiras diante de suas casas, e ao mesmo tempo aos interesses dos comerciantes e seus fregueses, pela melhoria das condições oferecidas, além dos contribuintes, tendo em vista a economia na manutenção e limpeza das vias públicas.

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