A desindustrialização no Brasil e a tragédia anunciada

Centenária no Brasil, a Ford anunciou o fim da produção de seus veículos no País com o fechamento de três fábricas da montadora, deixando como saldo milhares de desempregados.

Surpresa para muitos, mas um problema anunciado há tempos, que se agravou com os impactos econômicos da pandemia, originado em um assunto que falo há anos: o Custo Brasil.

Os indícios do fechamento foram confirmados em declaração da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores – Anfavea, que, em nota, afirmou tratar-se “de decisão estratégica global e que a entidade vem alertando há mais de 1 ano sobre a ociosidade da indústria e a falta de medidas que reduzam o custo Brasil”.

Além da insegurança jurídica do País, que inibe os investimentos para que grandes empresas se estabeleçam aqui, a carga tributária desmotiva ainda mais.

Falar em desindustrialização talvez seja precoce, mas o alerta laranja está aceso, com a iminência de que outras empresas tomem o mesmo rumo da Ford.

Há décadas, e mais incisivamente quando exerci o mandato de deputado federal, entre 1998 e 2000, defendo que a reforma tributária é urgente para tornar o País competitivo e que os municípios tenham maior participação nos impostos federais.

Pregando no deserto, sigo defendendo também o pacto federativo. Não tem sentido os municípios ficarem com a maior parte das obrigações e serem extremamente cobrados pela oferta maior de serviço, enquanto recebem a menor parte do que é arrecadado no País, sendo 56% para o governo federal, cerca de 28% para os estados e 16% para os municípios. Com a redistribuição da arrecadação, os municípios poderiam aumentar seu potencial na oferta de serviços voltados às suas populações, que, alheias às atribuições de cada esfera de poder, dirigem suas cobranças e reclamações muito mais aos prefeitos do que ao presidente ou governador.

A economia brasileira vai mal, mas não é de hoje. O problema está se agravando com a crise sanitária e econômica de uma pandemia que pegou a todos de surpresa. Falamos em queda e retomada da arrecadação, mas há décadas postergamos a reforma tributária, onde o objetivo maior não deve ser o aumento da carga tributária, que já atingiu um patamar quase que insustentável, mas sim sua redistribuição, de forma mais equânime e igualitária, já que além de ser alta, está mal distribuída, com um sistema tributário ultrapassado que se concentra em alguns setores e privilegia outros; além de se fazer necessária uma melhor e mais justa distribuição da receita entre os entes federativos, para que estes tenham condições de cumprir com suas responsabilidades constitucionais.

Reforço que é preciso fechar os buracos da elisão fiscal com a reforma do sistema, estabelecer mecanismos mais modernos de arrecadação que evitem a sonegação. Déficit público não se resolve só com o aumento da arrecadação, a reforma de Estado é fundamental.

Enquanto a reforma fiscal é adiada constantemente, o Brasil segue padecendo de planejamento e ações factíveis que voltem os olhos das multinacionais para o País. Nesse vai e vem, continuamos vendo os dígitos do impostômetro crescerem abruptamente, os trabalhadores dedicarem mais de 100 dias de trabalho no ano para pagar seus impostos e o País afugentando investidores, sucumbindo frente à concorrência internacional.


Texto publicado no Jornal A Tribuna 

4 respostas
  1. José Augusto
    José Augusto says:

    Parabéns prefeito o senhor é um exemplo a ser seguido, tenho orgulho de morar em Praia Grande, afirmo que o mundo precisa de pessoas como o senhor, só assim poderemos mudar essas situações que Deus de sabedoria aos políticos para transformar nosso país.

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    • Marisa Emidio
      Marisa Emidio says:

      José Augusto, fico imensamente feliz em saber que você tem tanto orgulho da nossa amada Praia Grande. Trabalhamos muito para despertar esse sentimento em cada morador. O trabalho é árduo, mas a satisfação de ver a mudança na qualidade de vida das pessoas é muito maior.

      Responder
  2. Érica
    Érica says:

    Prezado ex- prefeito,

    Sinto em tê-lo conhecido há pouco. Mas gostaria de dizer que o senhor é um visionário da administração pública. Espero que prossiga a sua caminhada.

    Com os melhores cumprimentos!

    Érica

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    • Marisa Emidio
      Marisa Emidio says:

      Muito obrigado, Érica! É muito importante contar com a participação de cada um de vocês. Nossa trajetória não é fácil, mas não temos que procurar facilidade pelo caminho, nossa preocupação é ajudar a mudar a realidade daqueles que mais precisam do nosso trabalho. Obrigado por seu apoio.

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